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O rádio emociona, encanta e devolve memórias

  • Foto do escritor: MIDIACOM-RJ
    MIDIACOM-RJ
  • 16 de mar.
  • 2 min de leitura

Outro dia me deparei com um vídeo simples, desses que aparecem no feed e que parecem apenas mais um entre tantos. Mas ele dura poucos segundos e, ainda assim, consegue dizer muita coisa.


A cena mostra um senhor ouvindo uma música no rádio. Só isso. Mas não é qualquer música. Era uma canção que ele não escutava há quarenta anos.


O homem se chama Nelson Pavaneli e pediu à locutora da rádio que tocasse a “moda” ao vivo. Quando a música começa, a emoção toma conta. E quem assiste também sente algo difícil de explicar. A primeira pergunta que me veio à cabeça foi simples: há quanto tempo você não escuta sua música preferida?


Provavelmente não faz muito tempo. Uma semana, talvez duas. Hoje temos aplicativos de música, playlists infinitas e o multimídia do carro sempre à disposição. A qualquer hora, em qualquer lugar, qualquer música está a poucos toques de distância.


Mas essa não é a realidade de todo mundo. No vídeo, Nelson Pavaneli não escutava uma música específica há quatro décadas. E foi só quando pediu para que a locutora de rádio tocasse a “moda” que esse ciclo foi interrompido.


É difícil imaginar isso hoje. Vivemos em um tempo em que praticamente tudo está disponível o tempo inteiro. Talvez, justamente por essa facilidade e pela quantidade infinita de opções, tenhamos parado de apreciar certos momentos com a mesma intensidade. Para ele, a emoção foi enorme. E talvez não fosse assim se aquela música estivesse disponível todos os dias na palma da mão.


Existe algo poderoso na surpresa. E o rádio ainda preserva isso.


No rádio, não sabemos exatamente o que vai tocar em seguida. Não escolhemos cada música, cada sequência, cada momento. A decisão não está totalmente nas nossas mãos, e talvez seja justamente aí que mora parte do encanto. De repente toca aquela música que marcou um momento importante da vida e que você nem lembrava mais.


A trilha sonora de um namoro. A preferida de alguém que você ama. Aquela que marcou a infância. Ou até mesmo uma que, durante um período triste, foi chave para a catarse.


E tudo isso volta em segundos, apenas pelo som.


A emoção também está em falar com o rádio. Diariamente, milhões de brasileiros ligam para os rádios para se conectar. Não é uma simples interação com máquinas, mas uma interação humana. Interação que gera conexão, identificação, e acima de tudo, saudade.


Saudade que sentimos também quando nos lembramos que o rádio, que um dia foi um objeto grande na sala de casa, se transformou para caber no celular. O importante é saber que ele continua fazendo algo que poucos meios conseguem: despertar memórias sem aviso prévio.

Nunca vamos nos esquecer: foi através dele que surgiram alguns dos primeiros grandes ídolos da sociedade: vozes marcantes que se tornaram familiares para milhões de pessoas. Vozes que reconhecemos imediatamente, mesmo sem associá-las a um rosto.

O senhor Nelson representa uma realidade que ainda existe para muita gente.


Pessoas que encontram no rádio, todos os dias, companhia.

Emoção.

Diversão.

Notícia.


Entretenimento.


E memória.

Talvez, em um mundo onde podemos escolher tudo o tempo inteiro, o rádio continue sendo especial justamente por isso: porque ainda consegue nos surpreender.


Assista ao video do senhor Nelson aqui:



 
 
 

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