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O rádio é uma resposta para a solidão

ISABELLI ARAGÃO
há 10 minutos
3 min de leitura
Silvonei Protz
Silvonei Protz

Recentemente tivemos o prazer de entrevistar o jornalista e coordenador da Rádio Vaticano e Vatican News PT, Silvonei José Protz. Ele, que é considerado a "Voz do Papa" no Brasil e há anos se dedica a trazer para nós informações diretamente do Vaticano, levantou reflexões tão fortes que seguem ecoando.


Apaixonado por rádio e tendo tido seu primeiro emprego neste meio, Silvonei relembrou a história de um bispo brasileiro que morava na África e que foi visitá-lo no Vaticano. Neste encontro, o bispo disse que precisava abraçar Silvonei, porque certo dia, enquanto estava sozinho esperando um barco para atravessar o rio em Guiné-Bissau, ligou o rádio e ouviu a voz de Silvonei.


"Eu me senti dentro de casa. O rádio me trouxe vocês, me trouxe o meu Brasil, me trouxe Roma. E eu fiquei muito feliz", relatou o bispo para Protz.


E não só isso. Ele aumentou o volume do aparelho e chamou todos que estavam ao redor para ouvir também, o que nos deixa a reflexão e a certeza de que o rádio une pessoas, une sociedades, culturas e histórias. Aquele homem, até então solitário, voltou a sentir alegria e o calor do Brasil pela voz que ecoava através do rádio.


"Quando você fala no rádio, tem sempre alguém ouvindo você."


O jornalista ainda relembrou sobre a era de ouro do rádio brasileiro, que ajudou na construção de uma credibilidade para o meio que segue até hoje. Ele ainda conta que se recorda de quando a avó dizia: "é verdade porque eu ouvi no rádio" para defender algo. O que mostra como essa confiança foi construída aos poucos e jamais deve ser esquecida ou menosprezada. O rádio é um meio vivo, em constante transformação e movimento, mas jamais será deixado de lado. Ele está nos nossos carros, nos celulares, nos computadores, nas caixas de som e até mesmo na televisão. Ele constrói carreiras e profissionais consolidados e competentes, ele atinge casas e famílias todos os dias, ele emociona e ele informa.


"Mas há uma comunicação que é uma resposta para a solidão de muitas pessoas.


O rádio é aquele companheiro que está ali sempre, que me ajuda a construir a minha realidade social. Quer dizer, me dá aquela possibilidade do imaginário coletivo, de participar de uma sociedade."


Há algo de muito poderoso nesse meio (entre outras coisas, é claro): a não xigência de atenção exclusiva. E com isso quero dizer, assim como Silvonei ressaltou na entrevista, que ouvir rádio te permite realizar outras tarefas ao mesmo tempo. Você pode dirigir, lavar a louça, ler, escrever, e ele segue ali.


"O rádio é companheiro daquilo que você faz."


Voltando ao início da conversa, e talvez um dos pontos altos dela, temos a redescoberta, por assim dizer, de documentos sobre o padre brasileiro Roberto Landell de Moura. O Vatican News publicou uma matéria com documentos que mostram como Landell foi o responsável pelos primeiros registros de experiências radiofônicas.


"Ele começa a vislumbrar, porque era chamado um pouco de louco, qualquer um que tem um pouquinho de pensamento além da porta que está sempre fechada pode ser chamado de louco. E ele tinha justamente essa intuição de fazer com que o som, vamos dizer assim, se materializasse nos nossos ouvidos, através de caixas, através de receptores."


Esse trecho levanta uma reflexão que vale a pena ser feita. Tudo que é considerado um pouco fora da curva é visto como loucura, mas em que pé a sociedade estaria hoje se não tivessem existido pessoas que ignoraram esses estigmas e seguiram adiante em busca de novas criações, pensamentos e formas de ver o mundo?


Se Landell de Moura, por exemplo, tivesse abaixado a cabeça para os que o julgaram, será que teríamos conhecido o rádio?


Tudo um dia foi apenas uma experiência, um pensamento, uma possibilidade. E é através da memória e dos registros que podemos entrar em contato com a nossa história. Como o próprio Silvonei disse: "nós existimos hoje porque temos uma estrada, nós temos um passado. Não vivemos no passado, mas nós somos consequência daquilo que outras pessoas decidiram fazer, fizeram, e hoje nós damos continuidade."


Confira a entrevista completa pelo Spotify ou nosso site midiacomrj.org.br.

 
 
 

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